Relatório da ONU diz que ataque aéreo israelense contra prisão no Irã é crime de guerra
16/03/2026
(Foto: Reprodução) O chefe de uma investigação da ONU disse nesta segunda-feira (16) que um ataque aéreo israelense a uma prisão no ano passado foi um crime de guerra e alertou sobre os riscos de mais repressão após os atuais bombardeios israelenses e norte-americanos.
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Mais de 70 pessoas foram mortas quando Israel atacou a prisão de Evin, em Teerã, em junho passado, durante uma guerra aérea com o Irã, disseram as autoridades iranianas. A prisão, conhecida por manter prisioneiros políticos, também foi danificada nos últimos ataques aéreos entre EUA e Israel, aumentando o temor dos detentos, que incluem um casal britânico.
Israel explode porta de prisão do Irã para opositores do regime em retaliação a ataques
"Encontramos motivos razoáveis para acreditar que, ao realizar os ataques aéreos à prisão de Evin, Israel cometeu o crime de guerra de dirigir intencionalmente ataques contra um objeto civil...", disse Sara Hossain, presidente da Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre o Irã, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Imagem de 23 de junho de 2025 mostra coluna de fumaça após os ataques israelenses em Teerã. Israel afirmou ter atacado instalações da Guarda Revolucionária Iraniana em Teerã e a notória prisão de Evin
UGC / AFP
Ela disse ainda que 80 pessoas, incluindo uma criança e oito mulheres, foram mortas.
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Seu relatório mais recente, baseado em entrevistas com vítimas e testemunhas, imagens de satélite e outros documentos, foi apresentado ao Conselho nesta segunda-feira.
Israel se desligou do conselho, que documenta abusos e conduz investigações, e deixou seu assento vazio. Não houve resposta imediata aos pedidos de comentários do gabinete do primeiro-ministro, do Ministério das Relações Exteriores ou dos militares.
Hossain condenou as crescentes mortes de civis no Irã e expressou preocupações de que a atual campanha de bombardeio poderia levar o Irã a reprimir ainda mais a dissidência, apontando para um aumento nas execuções após os ataques do ano passado.
"A principal lição extraída de nossas investigações nesse contexto é clara: a ação militar externa não proporciona responsabilidade nem traz mudanças significativas. Em vez disso, ela corre o risco de intensificar a repressão interna... ", disse ela.
Mai Sato, especialista em direitos humanos nomeada pela ONU para o Irã, também expressou preocupação com os detidos, inclusive os que foram presos durante os protestos em massa em janeiro. As famílias não têm conseguido entrar em contato com os parentes, e os alimentos e medicamentos estão cada vez mais escassos nas prisões, disse ela.
O embaixador do Irã, Ali Bahreini, pediu a condenação dos ataques israelenses e norte-americanos, que, segundo ele, mataram mais de 1.300 pessoas no Irã.
O ataque
A prisão foi atacada em junho de 2025, após Israel anunciar ataques de "força sem precedentes". Além de Evi também foram alvos a instalação nuclear fortificada de Fordow e um quartel da Guarda Revolucionária iraniana em Teerã.
Os locais atingidos compõem "entidades de opressão" do regime iraniano do aiatolá Ali Khamenei, segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, na época.