Fim da escala 6x1: veja quantos trabalhadores podem ser afetados por mudança aprovada na Câmara
28/05/2026
(Foto: Reprodução) Dados do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que 14,8 milhões de trabalhadores celetistas (contratados pelo regime CLT) no Brasil atuam na escala 6x1, modelo em que há seis dias de trabalho e um de descanso por semana.
🔎 O número pode ser maior, porque o recorte considera apenas vínculos CLT , e não outross regimes de contratação.
Além deles, há 1,4 milhão de trabalhadoras domésticas em escala 6x1, segundo os dados do MTE.
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Ao todo, o Brasil tem 50,2 milhões de trabalhadores celetistas. Desse total, 37,2 milhões cumprem jornada de 44 horas semanais.
Outros 29,7 milhões de celetistas estão na escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. Esse grupo representa 66,8% dos vínculos com CLT.
Outros 26,3 milhões de trabalhadores celetistas não recebem horas extras remuneradas, de acordo com os dados do ministério.
Os números fazem parte do debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e prevê ao menos duas folgas por semana. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27) e agora será analisado pelo Senado.
Pela proposta aprovada pelos deputados, a redução da jornada ocorreria em até 14 meses após a promulgação da PEC. O texto prevê uma primeira redução de duas horas em até dois meses e a redução das horas restantes em até 12 meses depois da primeira etapa.
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A PEC também estabelece duas folgas remuneradas por semana, uma delas preferencialmente aos domingos. Como se trata de uma mudança na Constituição, o texto precisa passar por dois turnos de votação no Senado antes de ser promulgado.
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Quem está na escala 6x1
Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) informados à comissão especial que discutiu a PEC na Câmara mostram que 32,2% das mulheres estão na escala 6x1 e 33% dos homens - isso considerando todos os tipos de vínculo de trabalho.
Veja outros destaques de acordo com o perfil do trabalhador:
Infográfico mostra o perfil dos vínculos celetistas na escala 6x1, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego e do Dieese.
Dhara Pereira - Arte/g1
Por raça/cor, entre todos os vínculos de trabalhadores pretos e pardos, 33,5% estão na escala 6x1. Entre todos os vínculos de trabalhadores brancos, 31,7% estão nesse regime.
Em termos regionais, Tocantins tem a maior proporção de celetistas na escala 6x1, com 48,1%. Na sequência aparecem Santa Catarina, com 44,7%, e Roraima, com 43,9%.
Em números absolutos, o Sudeste concentra 7 milhões de celetistas nesse regime.
Já entre os setores com maior proporção de vínculos na escala 6x1 estão:
transporte aéreo: 53,2%;
serviços de alojamento: 52%;
serviços de alimentação: 47,1%;
comércio: 42,2%.
Entre os setores com menor proporção na escala 6x1 está o de eletricidade e gás.
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Jornada e remuneração
Os dados da Rais/MTE de 2024, reunidos pelo Dieese, também relacionam a faixa de jornada semanal à remuneração média dos celetistas.
Entre os trabalhadores com jornada inferior a 40 horas semanais, a remuneração média era de R$ 2.525.
Para quem trabalhava exatamente 40 horas semanais, a média era de R$ 5.555.
Entre os celetistas com jornada entre 41 e 44 horas semanais, a remuneração média era de R$ 2.560.
A média geral dos celetistas era de R$ 2.896.
E, segundo os dados levantados pelo Dieese, quem trabalha entre 41 e 44 horas semanais ganha, em média, R$ 39 mil a menos por ano do que quem trabalha exatamente 40 horas semanais.
❗O Dieese também aponta que serviços, agropecuária, construção e comércio têm maior proporção de vínculos com jornadas acima de 40 horas. Segundo a entidade, isso não significa salário maior.
Entre os celetistas com jornada semanal superior a 40 horas, os menores salários médios aparecem em serviços domésticos, com R$ 1.781, e alojamento e alimentação, com R$ 1.917.
Na sequência estão:
agropecuária: R$ 2.245;
comércio: R$ 2.248;
outros serviços: R$ 2.463;
administração pública: R$ 2.529;
construção: R$ 2.605;
transporte, armazenagem e correio: R$ 2.660;
informação, comunicação e atividades financeiras: R$ 2.746;
indústria geral: R$ 3.012.
O que a PEC prevê
Pelo texto aprovado pela Câmara, a duração normal do trabalho não poderá ser superior a oito horas diárias e 40 horas semanais.
A proposta mantém a possibilidade de compensação de horários e de redução da jornada por acordo ou convenção coletiva.
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O texto também prevê duas folgas remuneradas por semana, uma delas preferencialmente aos domingos.
A mudança, porém, ainda não está em vigor. A proposta precisa ser analisada pelo Senado. Se for aprovada sem alterações, poderá ser promulgada pelo Congresso. Se houver mudanças, volta para nova análise da Câmara.
Entenda o que acontece com a PEC do fim da escala 6x1
Carteira de trabalho
Marcello Casal Jr/Agência Brasil